Andei buscando poesia nos dias.
Depois parei.
Se cansei de buscar? Não.
Cansei foi de sentir e não ver.
Meus olhos de areia, cataratas de cansaço,
não viam mais verso.
Se cansei do caminho? Não.
Cansei de andar em círculos sem horizontes.
Procuro florestas novas.
Mais escuras, você diz. Mais sombrias, tão tristes.
Eu digo que topo a escuridão e vou desvendar os cinzas da tristeza, mas preciso descansar de tempestade.
Quando meu tempo limpar, se ainda houver caminho, eu volto.
Se não, há outros campos pela vida a fora.
sábado, 29 de junho de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
...
Professor novo é que nem criança nova:
Acha tudo curioso,
Olha pra cada alminha com atenção e vê milhões de possíbilidades
Quer superar barreiras, inovar, pensar tudo novo.
Aí o professor encontra com o aluno.
E o aluno é feito velho
Rabugento
Diz que já sabe tudo e que só de olhar pro professor já viu onde vai dar.
E diz que tudo é chato.
Aos poucos, o professor vai se tornando do jeito que o aluno acha que ele é.
Acha tudo curioso,
Olha pra cada alminha com atenção e vê milhões de possíbilidades
Quer superar barreiras, inovar, pensar tudo novo.
Aí o professor encontra com o aluno.
E o aluno é feito velho
Rabugento
Diz que já sabe tudo e que só de olhar pro professor já viu onde vai dar.
E diz que tudo é chato.
Aos poucos, o professor vai se tornando do jeito que o aluno acha que ele é.
sábado, 25 de maio de 2013
...
Hoje eu vi o drama de alguém do outro lado do mundo. O menino Theo Chen, 12 anos, veio a público pedir que parem de chamá-lo de gay.
Recebi seu pedido via You Tube, num link divulgado via Facebook. Chegou-me, aqui no Brasil, um drama sem história, sem preconceito, sem contexto. Tão comovente talvez porque, assim distante, sem qualquer outra informação, resta-lhe só a capacidade de comover.
O menino é, sem dúvida, um artista. Faz o que os artistas fazem: fala com suas palavras da verdade de muitos. Conta na sua história a de todos os meninos que sofrem com homofobia; a de todos os meninos que sofrem bullying.
Nos comentários tem um monte de "Brazil loves you". Gente daqui, como eu, encantada, tocada.
Coisa louca essa tal de Globalização... essa tal de Internet. Ver daqui um relato tão pessoal. Coisa louca também do lado de lá: receber o carinho de gente de tão longe.
Eu conheço gente que fala mal dela (da globalização), que diz que ela destrói as culturas não-hegemônicas, mas isso é só quando a gente deixa. Quando a gente não deixa, cada um segue seu caminho e pode ver quanta gente forte, e bela e verdadeira tem no mundo, de um em um.
Theo, Parabéns.
Recebi seu pedido via You Tube, num link divulgado via Facebook. Chegou-me, aqui no Brasil, um drama sem história, sem preconceito, sem contexto. Tão comovente talvez porque, assim distante, sem qualquer outra informação, resta-lhe só a capacidade de comover.
O menino é, sem dúvida, um artista. Faz o que os artistas fazem: fala com suas palavras da verdade de muitos. Conta na sua história a de todos os meninos que sofrem com homofobia; a de todos os meninos que sofrem bullying.
Nos comentários tem um monte de "Brazil loves you". Gente daqui, como eu, encantada, tocada.
Coisa louca essa tal de Globalização... essa tal de Internet. Ver daqui um relato tão pessoal. Coisa louca também do lado de lá: receber o carinho de gente de tão longe.
Eu conheço gente que fala mal dela (da globalização), que diz que ela destrói as culturas não-hegemônicas, mas isso é só quando a gente deixa. Quando a gente não deixa, cada um segue seu caminho e pode ver quanta gente forte, e bela e verdadeira tem no mundo, de um em um.
Theo, Parabéns.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Preconceito
Preconceito
Pré-conceito
Pré-ideia
Ideia Prévia.
Uma ideia na qual você acredita antes de ter condições de avaliar.
Se um homem de qualquer cor, digamos... verde... Se um homem verde vê um homem negro e diz: "você é negro", não há preconceito. Ele viu o outro homem, viu sua pele e observou sua cor e, então, disse que cor era.
Se o mesmo homem verde vê um homem negro e diz "Seu negro fedido" há, aí sim, preconceito. O homem verde, nesse caso, fez mais que constatar a cor da pele do outro. Ele atribuiu ao outro uma segunda característica, pautada numa ideia que ele já tinha antes de ver o outro. Essa ideia prévia é: "Todos os negros são fedidos".
É obvio que é possível que "todos os negros o sejam fedidos", como acredita o homem verde, mas a questão é: O homem verde não sabe. Para sabê-lo, seria necessário cheirar todos os negros do mundo, e isso depois de estabelecer um critério claro e transparente que determinasse "O que é ser fedido."
É claro que todos temos preconceitos. Todos conhecemos muito pouco do mundo e temos idéias sobre quase tudo - basta entrar numa rede social para perceber. Bem, com muitas idéias e pouco conhecimento a questão passa a ser quase matemática: boa parte das nossas idéias não estão pautadas em nosso conhecimento do mundo, são achismos, são preconceitos. Nesse caso, o que fazer?
Minha sugestão é: mantenha a mente aberta. Um homem verde de mente aberta se aproximaria do negro e, se este fosse cheiroso, pensaria "Eu achava que todos eram fedidos, mas este é cheiroso, logo, eu estava errado" enquanto um homem verde de mente fechada pensaria "Nem vou chegar perto porque ele é fedido" e, se chegasse, insistiria: "Ele deve usar um perfume muito forte, que neutraliza seu cheiro" ou "ele é uma exceção". Eu acredito que seja este o caminho: reavaliar nossos pré-conceitos a cada novo conhecimento.
Parece fácil? Hummm... então vamos deixar o homem verde e o homem negro de lado e ouvir uma história minha: Eu fiz capoeira, conheci grandes mestres, fiz cursos de danças populares e já aprendi, faz tempo, que conhecimento nada tem a ver com formação e que tem muito sábio por aí cheio de erros de concordância. E tudo isso adianta o quê? Adianta nada. Quando começo a ler um texto com erros de português me pego logo desconsiderando o autor. Preciso ler duas vezes pra avaliar, pois na primeira classifico tudo como baboseira a partir da primeira falha. Exige uma concentração imensa a segunda leitura porque uma parte de mim grita que é só estudar que isso se resolve.
E resolve. O negro não pode deixar de ser negro, a mulher não pode deixar de ser mulher e o homossexual não pode deixar de ser homossexual. Se pudessem, creio que muitos deixariam, só pra não ter que enfrentar esse monte preconceito que tanto complica a nossa vida. O analfabeto, por outro lado, tem essa possibilidade, mas as vezes parece que ele não sabe.
Pré-conceito
Pré-ideia
Ideia Prévia.
Uma ideia na qual você acredita antes de ter condições de avaliar.
Se um homem de qualquer cor, digamos... verde... Se um homem verde vê um homem negro e diz: "você é negro", não há preconceito. Ele viu o outro homem, viu sua pele e observou sua cor e, então, disse que cor era.
Se o mesmo homem verde vê um homem negro e diz "Seu negro fedido" há, aí sim, preconceito. O homem verde, nesse caso, fez mais que constatar a cor da pele do outro. Ele atribuiu ao outro uma segunda característica, pautada numa ideia que ele já tinha antes de ver o outro. Essa ideia prévia é: "Todos os negros são fedidos".
É obvio que é possível que "todos os negros o sejam fedidos", como acredita o homem verde, mas a questão é: O homem verde não sabe. Para sabê-lo, seria necessário cheirar todos os negros do mundo, e isso depois de estabelecer um critério claro e transparente que determinasse "O que é ser fedido."
É claro que todos temos preconceitos. Todos conhecemos muito pouco do mundo e temos idéias sobre quase tudo - basta entrar numa rede social para perceber. Bem, com muitas idéias e pouco conhecimento a questão passa a ser quase matemática: boa parte das nossas idéias não estão pautadas em nosso conhecimento do mundo, são achismos, são preconceitos. Nesse caso, o que fazer?
Minha sugestão é: mantenha a mente aberta. Um homem verde de mente aberta se aproximaria do negro e, se este fosse cheiroso, pensaria "Eu achava que todos eram fedidos, mas este é cheiroso, logo, eu estava errado" enquanto um homem verde de mente fechada pensaria "Nem vou chegar perto porque ele é fedido" e, se chegasse, insistiria: "Ele deve usar um perfume muito forte, que neutraliza seu cheiro" ou "ele é uma exceção". Eu acredito que seja este o caminho: reavaliar nossos pré-conceitos a cada novo conhecimento.
Parece fácil? Hummm... então vamos deixar o homem verde e o homem negro de lado e ouvir uma história minha: Eu fiz capoeira, conheci grandes mestres, fiz cursos de danças populares e já aprendi, faz tempo, que conhecimento nada tem a ver com formação e que tem muito sábio por aí cheio de erros de concordância. E tudo isso adianta o quê? Adianta nada. Quando começo a ler um texto com erros de português me pego logo desconsiderando o autor. Preciso ler duas vezes pra avaliar, pois na primeira classifico tudo como baboseira a partir da primeira falha. Exige uma concentração imensa a segunda leitura porque uma parte de mim grita que é só estudar que isso se resolve.
E resolve. O negro não pode deixar de ser negro, a mulher não pode deixar de ser mulher e o homossexual não pode deixar de ser homossexual. Se pudessem, creio que muitos deixariam, só pra não ter que enfrentar esse monte preconceito que tanto complica a nossa vida. O analfabeto, por outro lado, tem essa possibilidade, mas as vezes parece que ele não sabe.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
...
Hoje eu comentei com uma aluna que vou fazer prova pra trabalhar em outro lugar.
Ela se fez surpresa e perguntou:
- Porquê? Você mudou toda a sala de leitura! Antes a gente não fazia nada na aula de leitura e você gosta muito do que você faz.
Como é que pode? Uma percepção... um reconhecimentozinho, abalar toda uma certeza!
Ela se fez surpresa e perguntou:
- Porquê? Você mudou toda a sala de leitura! Antes a gente não fazia nada na aula de leitura e você gosta muito do que você faz.
Como é que pode? Uma percepção... um reconhecimentozinho, abalar toda uma certeza!
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
vamos ver se eu entendi...
Eu estou dirigindo uma moto, o polícial me para e pede a carta (que eu não tenho)
Se eu disser que não vou entregar, é desobediência
Se eu xingar a mãe dele, é desacato.
Se eu contar uma historia muito triste, ele ficar com dó e me deixar dirigir por aí sem carta por isso, é prevaricação
Se eu oferecer cenzinho, é corrupção ativa.
Se ele aceitar, é corrupção passiva.
Se outra pessoa me disser que é cunhado do polícial e que se eu arrumar cenzinho ele arranja tudo, é tráfico de influência.
Se eu apresentar a carta de outra pessoa fingindo ser minha, é falsa identidade.
Se eu apresentar uma carta falsa, mas boa o suficiente pra enganar o policial, é uso de documento falso. (Se for falsa e tosca é só uma piada mesmo)
Se eu tiver feito um BO de verdade, contando que minha carta, que era de carro e moto (mentira, é só de carro) foi roubada (nem foi, eu inventei a história toda), é falsidade ideológica.
Se o policial me exigir uma grana, me ameaçando, dizendo que é assim que funciona e que ele tem direito porque é policial e tal... é concussão
Se ele me mandar sair de cima da moto pra que esta seja levada embora e eu nem me mexer, é resistência;
Se o guarda me arrancar de cima da moto à força e me jogar longe, é violência arbitrária.
Se o outro funcionário, que está levando todas as motos apreendidas pro pátio, parar na casa dele e deixar a moto lá, é peculato.
Se o policial não for policial de verdade, for só o cunhado que pegou o uniforme emprestado (sem pedir, é claro) pra fazer uma graça, é usurpação de função pública
Amor... quando você tiver a moto, quero dirigir não... dá muito trabalho!
Se eu disser que não vou entregar, é desobediência
Se eu xingar a mãe dele, é desacato.
Se eu contar uma historia muito triste, ele ficar com dó e me deixar dirigir por aí sem carta por isso, é prevaricação
Se eu oferecer cenzinho, é corrupção ativa.
Se ele aceitar, é corrupção passiva.
Se outra pessoa me disser que é cunhado do polícial e que se eu arrumar cenzinho ele arranja tudo, é tráfico de influência.
Se eu apresentar a carta de outra pessoa fingindo ser minha, é falsa identidade.
Se eu apresentar uma carta falsa, mas boa o suficiente pra enganar o policial, é uso de documento falso. (Se for falsa e tosca é só uma piada mesmo)
Se eu tiver feito um BO de verdade, contando que minha carta, que era de carro e moto (mentira, é só de carro) foi roubada (nem foi, eu inventei a história toda), é falsidade ideológica.
Se o policial me exigir uma grana, me ameaçando, dizendo que é assim que funciona e que ele tem direito porque é policial e tal... é concussão
Se ele me mandar sair de cima da moto pra que esta seja levada embora e eu nem me mexer, é resistência;
Se o guarda me arrancar de cima da moto à força e me jogar longe, é violência arbitrária.
Se o outro funcionário, que está levando todas as motos apreendidas pro pátio, parar na casa dele e deixar a moto lá, é peculato.
Se o policial não for policial de verdade, for só o cunhado que pegou o uniforme emprestado (sem pedir, é claro) pra fazer uma graça, é usurpação de função pública
Amor... quando você tiver a moto, quero dirigir não... dá muito trabalho!
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