Comecei a me sentir incoerente... então senti necessidade de por tudo o que estava dentro pra fora, pra olhar de longe e tentar entender como funciona...

domingo, 4 de maio de 2014

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Emagreci.
A vida se alarga a minha volta.

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... e então eu morava com a mãe e haviam escorpiões no meu banheiro. Não, não no banheiro da casa, no meu. E eu quase os tocava antes de vê-los, depois corria, trancava a porta, contava um caso.

Depois, num outro tempo (que os sonhos tem sempre muitos tempos), haviam pessoas em casa. Dois. Eu tomava um leite muito açucarado e devia, sabe-se lá porque, enrolar os dois até que fossem embora, tomando o leite até o fim sem que vissem. Se eu terminasse, ou se eles se fossem, dessas duas maneiras tudo estaria bem.

sábado, 3 de maio de 2014

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Eu não chego a tempo, não termino a tempo, não acerto os compassos.
Eu me distraio e perco tempo ou  as horas.
Parece que o meu destino é essa eterna luta com tictac.
esse não aprisionar-se dia a dia.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Dia do Trabalho

Direto do ano 2000, interlocutora com 8 anos na época:

"Lu, qual sua profissão?
Eu trabalho como web designer, faço sites.
Não, Lu, A sua profissão... assim: Médica, veterinária, advogada....
Hum... então. Chama-se webdesigner.
Não, Lu... você não entendeu o que eu perguntei... Eu perguntei a profissão..
(Aí eu desencanei de explicar que aquela palavra estranha era o nome de uma profissão....)
Eu também sou Bailarina.
Não... Lu... a profissão...
E professora, de ballet.
Não... Lu... você não está entendendo... Profissão, Lu, assim ó: Médica, veterinária, dentista, advogada... Profissão, entende?"


Ironicamente, o pai dessa menina era músico.

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Era um almoço. Desses que eu mesma gosto de armar, mas não era eu quem cozinhava. Eu tinha fome.

O prato, um não-sei-quê vegetariano, montado um a um por um cozinheiro prestimoso que explicava: este é o pão, a dispunha algumas fatias de abobrinha sobre a forma, esta é a carne, e arrumava os legumes refogados... devia ser montado e assado um a um. Era um processo lento. E eu tinha fome.

Este é o dela, este é o dele, e eu com fome.

Haviam na sala personagens de diversas partes da minha vida e todos eram servidos, um a um, antes de mim. E eu tinha fome.

Quem já me viu com fome sabe que eu sofro e grito e brigo e choro e xingo e desespero e surto e... mas o prato nunca era meu. E eu... a fome.

 Lá pelas tantas meu amor - que já me conhece - passa na frente de alguém e me entrega um prato.

Eu, enfim salva, pego talheres. São duas facas. Volto e busco mais um garfo. É outra faca. Vou procurar na gaveta, depois não sei.

Só sei que acordo sem ter podido tocar na comida.

terça-feira, 8 de abril de 2014

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Maldita seja a "hora de acordar".
Maldito o relógio biológico que não se enquadra.
É até provavel que eu durma, de cansaço e obrigação,
mas não, não de sono:
Por dentro, passada à meia-noite, meu corpo é uma festa.
Ele sabe que é hora de vida e poderia correr, dançar, ler
mas não lhe peça que descanse.

Eu peço. Todo dia.
Maldita a vida responsável que nos aprisiona.

Talvez, como afirmam os trans, eu tenha nascido no corpo errado:
devia era ter nascido gato.

quinta-feira, 6 de março de 2014

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As crianças dizem que não gostam de ler. Bobagem. A maior parte dos amantes da literatura não gosta mesmo de ler: gosta é do que está escrito. Olha as letras como baús de tesouros e abre, só pra ver o que tem dentro. Acostuma a esperar maravilhas e brilha os olhos só de imaginar. Ler, ler mesmo, o simples ato de decifrar o segredo dentro daquelas figurinhas pequenininhas, uma arrumada ao lado da outra, só encanta os recém alfabetizados, pra quem tudo é surpresa... acho eu.