Comecei a me sentir incoerente... então senti necessidade de por tudo o que estava dentro pra fora, pra olhar de longe e tentar entender como funciona...

sábado, 13 de setembro de 2014

Quase um pesadelo

Estávamos acampando, ou melhor, fazendo um bivaque, num lugar pra lá de estranho. Eu, minha irmã, meu sobrinho e mais umas pessoas que nem lembro.

O quadrado de chão que eu ia dormir tinha uma lona quase solta cobrindo, com muito vento e chuva a tirá-la do lugar e muita lama e só.

Ao lado do meu, o quadrado de chão da Paula era só aconchego: lona no chão, sleeping, edredon, quentinho, bem vedado em cima e dos lados, e, pasmem, cercado por grades.

Ela disse que onde estava, estava bom.
Eu disse que era claro, afinal, ela estava cercada por grades.
Ela sugeriu que trocassemos e eu aceitei e no primeiro vento ela e o menino desapareceram.

Alguém veio investigar e pediu meu depoimento, depois comentou: "Ela não devia ter saído das grades...."

Acordei assustada. Dormi de novo.

Procurei em vão minha irmã e meu sobrinho por dois ou três sonhos muito loucos. Encontrei-o, só a ele, já crescido, numa boate,  meio alheio, meio sem entender que tia maluca era aquela de quem ele não se lembrava, mas que sabia quem ele era.

Acordei me perguntando: se eu escolher o lugar mais seguro, mais confortável, quem será que o vento levará embora?

terça-feira, 29 de julho de 2014

O passarinho da asa quebrada

Era uma vez um príncipe encantado de passarinho: desavisado, dormira por tempo demais no ninho dos bem-te-vis, comera o mel dos beija-flores e se banhara na grande bromélia, que era a banheira dos sabiás. Os passarinhos reclamaram em sonho à gralha do pântano, que, quando acordou de noite, piscou e fez dele um passarinho também, pra ver o que era bom pra tosse.  E como o principe havia quebrado um braço caindo de uma árvore, saiu passarinho da asa quebrada depois do feitiço, o que a avezona achou muito bem feito.

A floresta então, antes tão divertida, virou um mundo muito assustado. Tudo quanto era bicho, dos grandes aos pequeninos, vinha querer sei lá o quê com ele, e o passarinho que era príncipe achou por bem fugir.

No desespero de se salvar, foi para o castelo da princesa mais linda, a do País do Lagos.

"Ah, passarinho, pobre de ti!" - disse a princesa - "Mas não posso ficar contigo: não sei cuidar de passarinho e espero um príncipe. E mesmo que o príncipe gostasse de ti, não sei quando chega e eu tenho um grande gato que antes disso irá te devorar!" - e dizendo isso, a princesa levou-o para fora rapidamente e ele pulou da mão da princesa para uma carruagem que passava. O passarinho não contou que era príncipe nem que estava encantado, porque no susto de virar passarinho da asa quebrada havia se esquecido do passado.

A carruagem o levou para o país vizinho: o país das montanhas. A princesa do país das montanhas - que era a mais sábia - se encantou com a canção de socorro do passarinho, mas não permitiu que ele ficasse: "Minha torre é muito alta... com a asa quebrada você pode cair e se machucar ainda mais." Essa princesa também esperava um príncipe e, embora fosse sábia, também não sabia cuidar de passarinho, mas conhecia um pouco de feitiços e teve uma idéia. O passarinho nem teve tempo de contar que era... que era... A princesa disse que ele se demorava demais a lembrar e no primeiro vento encantado da noite mandou-o para o próximo país: o país dos pântanos.

No país dos pântanos não havia princesas. A única pessoa que morava lá era uma bruxa, daquelas de mais de 300 anos, toda enrugada, encurvada e sem dentes. Na ponta de seu gigantesco nariz havia uma clássica verruga, daquelas de bruxa mesmo, com um pelo no meio.

A bruxa viu o passarinho e ele, sem conseguir voar ou correr, cantou seu canto de socorro, que era um pobre passarinho, indefeso, com fome e com a asa quebrada... mas não contou que antes era príncipe, pois havia lembrado, mas teve medo: achava que a bruxa não acreditaria nele e ficaria furiosa.
E a bruxa então disse:
- Ah... passarinho, vou sim cuidar de você! Vou lhe dar as melhores comidinhas... - E ele a viu colhendo pimentas.
- Ah... passarinho, vou sim cuidar de você! Vou lhe dar um banho bem quentinho... - E ele a viu por a panela no fogo.
_ Ah... passarinho, vou sim cuidar de você! Vou tratar sua asa quebrada... - E ele a viu pegar uma faca bem afiada.

Nessa hora o passarinho teve tanto medo, mas tanto medo, mas tanto tanto medo mesmo, que ele esqueceu que era passarinho e soltou um grito tão estridente que quebrou o feitiço da gralha. E com pernas de príncipe ele correu para bem longe dali.

terça-feira, 22 de julho de 2014

segunda-feira, 14 de julho de 2014

...

...e, no fim, ser professor também é dar muito mais atenção do que a gente recebe.
Eu agradeço aos amigos que ouvem as minhas ladaínhas e me ajudam a equilibrar essa balança.

sábado, 12 de julho de 2014

sobre aikido

O outro é barragem e eu, água.
Essa enchurrada não tem força de quebrar a represa, então se enfia pelas frestas e passa sem fazer caso da dureza do concreto.

Vez ou outra me opoem alguma resistência  (pouca, por enquanto, que dizem que tudo tem seu tempo) e eu preciso procurar um caminho por onde passe o movimento e então, é assim que eu me sinto: escorrendo.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

E eu, feita de desejos e medos, desejos e cantos, desejos e sonhos.
De desejos tantos que cedo ou tarde hei de explodir e rogo que gente de bem recolha meus cacos.... e...
.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

...

Andava em névoas num canto desconhecido. Tinha dois irmãos, os dois mais velhos (irmãos de sonho, não os mesmos do tempo acordada) que estavam nesse lugar há mais tempo que ela e vagavam a esmo, catatônicos.
Lá pelas tantas o mais velho a encontra e pergunta: "Pra que lado fica a vida?"
Ela não sabe, mas agora ela sabe onde está.