Comecei a me sentir incoerente... então senti necessidade de por tudo o que estava dentro pra fora, pra olhar de longe e tentar entender como funciona...

segunda-feira, 23 de março de 2015

...

o que acontece?
te desejo.
?
Não...
Lembra: quando cheguei, eras dos fortes
e destes, o mais próximo.

Te desejo porque te vejo forte, sem nunca por num altar...
porque, ainda que forte, me senti no direito de sonhar tuas mãos
por isso te desejo.

Um pouco porque
no fim de toda obrigação de força aprendida na infância
sempre sonhei um poder fragilidade
só as vezes
só pra variar.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

...

Passamos com o carro por um portão. Éramos 4 ou 5 e eu estava ora no banco do passageiro na frente, ora no de trás. O lugar, por si, era assusador. Um assustador do tipo favela, com coisas quebradas pelos cantos e pessoas olhando feio, muito feio, pra nós, estranhos que passavam desavisados.

Vimos um carro todo queimado e o motorista cismou que eu deveria chamar 190. "Por quê?" Porque poderia ter alguém preso nas ferragens que não dava pra ver. Ligo. Em linha cruzada, ao ser atendida ouço a voz do meu vizinho de baixo, solicitando ajuda do 190 porque pessoas do lugar onde eu estava naquele momento tinha matado alguém no lugar onde eu moro e aquilo já tinha virado uma guerra.

Aviso os colegas do carro: "Bora dar o fora daqui". Passamos por um posto de gasolina onde haviam pessoas armadas numa blitz genérica organizada pelos locais. Filhos de santo caracterizados pra gira amarrados em uma das bombas. Bailarinas amontoadas num carro na lateral. Alguém me chama, se irrita porque eu a olhei. Eu agradeço e  recuso, bem cortez. Passamos ilesos.

Seguimos por uma estrada ladeada por grades. A saída? Não sei ainda. Uma das pessoas no carro defende que devemos matar alguém pra impor respeito. Que o motorista devia atropelar uma criança, ou algo assim. "Hein? Você ficou maluco? Você entende o que está pedindo? Você está pedindo pra ele MATAR ALGUÉM! Você não pode simplesmente virar pro cara e pedir uma coisa dessas." Ele se defende, que só assim sairíamos vivos. E eu, que aí sim é que não sairíamos vivos.

O carro para. O que foi? Há uma jovem senhora, no auge dos seus muitos kilos, sensualizando na frente do carro. O motorista não sabe o que fazer. Aí sou eu que oriento: "Avance devagar. Bem devagar, pra não machucá-la, e ela vai sair. Veja, a saída está ali". E estava. Uns dez metros à frente uma abertura na grade que acompanhava a estrada dava acesso a uma via de trânsito rápido, onde os carros passavam despreocupados. Ele avançou, ela deixou passar. Na saida um grupo fez o mesmo papel: algo como uma encenação das bacantes entre nós e a fuga.

Acordei.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Sobre presentes...


Meu presente esse ano foi uma fotografia. Digital, ainda por cima, não é nem em papel.
Não dá pra pegar, não dá pra vender...
Ninguém pegou uma fila imensa, ninguém entrou num crediário, ninguém enfrentou um shopping no fim do ano pra provar que me amava.
Apesar disso, essa foto foi o melhor presente que eu recebi em anos.
Há muito tempo um presente não me comove tanto, não me encanta tanto: Alguém congelou um instante de vida e me mandou com votos de feliz ano novo e me deixou com cara de boba olhando pras telas várias. (Por que essa foto já está em vários lugares e vocês todos já viram, com certeza)
Talvez o presente, o que a gente vive, não se chame presente porque é uma dádiva. Talvez o presente, o que a gente ganha, se chame presente porque é um jeito das outras pessoas se fazerem presentes na nossa vida.
Se for assim, não faz nenhum sentido passar horas numa fila qualquer pra comprar uma coisa qualquer só porque é natal e a gente tem que provar que ama quem ama.
Se for assim, faz mais sentido dar um abraço, ou mandar uma foto.
Muito obrigada, Paula Hilst, por me proporcionar a indizível alegria de ser tia e por me lembrar disso.
E Feliz Ano Novo.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

...

Não sei estar em dúvida.

Se for simples, respondo qualquer coisa só pra não estar em dúvida.
Se for difícil, sento e choro.
Se mesmo assim não resolver, respondo qualquer coisa, só pra não estar em dúvida.

domingo, 9 de novembro de 2014

Hoje eu não quero ouvir canções de amor.

Hoje eu não quero ouvir canções de amor.
Nem luares,
nem brilhos no olhar ,
nem serenatas.

Hoje eu quero ouvir historias.
Por favor, me contem historias
que falem do tempo,
De como ele passa impassível
e nos enterra a todos na areia.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014