Comecei a me sentir incoerente... então senti necessidade de por tudo o que estava dentro pra fora, pra olhar de longe e tentar entender como funciona...

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

do pai

Ele fugiu por toda a estrada que ela percorreu - que percorremos eu e ela - pra chegar.

No fim, veio visitar um bebê e encontrou uma miniatura de si mesmo.
Apaixonou-se.

sábado, 24 de setembro de 2016

do parto.

Uma das lembranças mais vivas que tenho é do expulsivo, do tempo entre as contrações.

Quando vinham as contrações, os puxos, eu urrava e fazia força.

Aí a contração acabava e.... nada..... tempo suspenso. Eu olhava pros lados e as pessoas em volta olhavam pra mim, todo mundo à espera de que o mundo voltasse a girar.

E foi assim, de gritos e silêncios ensurdecedores - os silêncios mais que os gritos - o caminho de fazer chegar o meu bebê.

A chegada


A Lia nasceu na virada da lua cheia, a 1h40 da manhã. 

Nasceu depois de um dia inteiro de contraçõezinhas bestas, mas constantes, q mal me deixaram dormir, mais um dia inteiro de fase latente bem dolorida. Fui pra Casa Ângela as 16h30, com medo da virada do transito, voltei pra casa as 8h30, com dois dedos e pedindo peloamordedeus uns minutinhos de sono. A Ana sugeriu chamar a Thaís, sua backup, q tb é acupunturista. Disse: das duas uma, ou vai parar e vc vai dormir ou vai andar e nascer. Andou. Saí de casa as 00h, tive os primeiros puxos no carro. Lia nasceu em OS, uma hora depois, na banheira. Saí da banheira e sentei com ela na cama pra dequitar a placenta. A Bruna me perguntou se eu queria mais alguma foto. Eu pedi que ela tirasse uma do celular e mandasse no grupo do parto. Ela disse q não ficaria boa, eu vi a foto e dei o ok.
Algumas pessoas me dizem q está feia, q eu não devia deixar ninguém ver. 


Respondo q essa não é uma foto pra ser bonita. Essa foto é o equivalente aos selfies q os pais tiram com a mãe toda enrolada em panos azuis, o bebê enrolado no pano com nome da maternidade, quase sem se tocar. ...


Na boa. ... prefiro a minha.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O sono
A fome
O coração
A cabeça
Os planos
Os orgãos
Os móveis
As roupas
A casa
O trabalho
O nome

Um bebê quando chega tira todas as coisas do lugar.

PS. E, ao contrário do que dizem as más línguas, eles existem.
Existem desde pensados.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Antes era não pensar e deixar que a vida seguisse seu curso. E então seu curso fez crescer o pensamento em mim.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Sobre o tempo

Dizem que o que é bom dura pouco. Que o tempo voa quando estamos felizes. E no entanto eu tenho a impressão de que o tempo corria muito mais lento no Caminho que aqui.

A impressão que eu tenho é que no Caminho nós vemos os dias, o que é impossível nesse turbilhão capitalista que a gente vive por falta de opção ou se mete, não sei bem por quê.

O Caminho foi toda uma vida, tantos lugares... tantas pessoas. Eu conversei mais com pessoas que convivi por algumas horas e que falavam uma língua que eu falo muito mal, que com alguns dos meus colegas de trabalho de anos.

A gente não vive, gente passa pelos dias. E as vezes, só as vezes, foge das obrigações e descumpre os prazos pra colher as flores desse caminho nosso de todos os dias pelo mundo.

sábado, 20 de junho de 2015

Santiago de Compostela

Dizem que a gente muda tanto no Caminho que eu ando me perguntando quem será essa pessoa que vai voltar.