Comecei a me sentir incoerente... então senti necessidade de por tudo o que estava dentro pra fora, pra olhar de longe e tentar entender como funciona...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

...

22h30.
To saindo com frio, sono e fome de um dia que começou as 6h.
Entro no carro e penso: "Caminha, aí vou eu!"
Atravesso a Purpurina e entro no ladeirão e...
Eis que um infeliz se coloca na frente do carro... bem no meio da rua.
Ele acena indicando o estacionamento.
Eu faço que não com a mão e a cabeça.
"Não" quer dizer: NÃO VOU ESTACIONAR... TO SÓ PASSANDO!
O infeliz CONTINUA no meio da rua.
....
Dizem que eu sou muito paciente, então me pergunto:
Quantos desses são atropelados em SP todos os dias?

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Era só o que me faltava...


Estava eu tossindo ininterruptamente há semanas.

Quando retornaram as aulas achei que deveria resolver a situação - minha voz não suportaria a combinação tosse e alunos. Apesar disso, só quando o corpo começou a doer foi que decidi procurar um médico.

A verdade é que não gosto de ir em médico com sintoma muito vago, como: "estou tossindo". Tosse sem catarro há três semanas, dor de garganta e dores no corpo me parece algo mais fácil de diagnosticar. E foi: tosse alérgica.

Não é que eu não desconfiasse. Não tinha febre, o que praticamente descarta infecções e viroses e há tempos coloquei uma colcha na cama pra não permitir que os bichanos deitassem nos lençóis, o que me fez sentir bem melhor! No mais vitamina C e o xarope não faziam qualquer efeito e, me parecia, estando melhor, mais tossia. Vê lá, a alergia é uma reação imunológica então, faz algum sentido que imunidade mais alta resulte numa reação mais forte.

O fato é que, ao que tudo indica, tenho alergia aos pelos do Frederico. Aos da Preta também, imagino, só que ela tem bem menos pelos. Pode ser que o meu problema sejá o pó da avenida, o que, a curto prazo, não é menos grave.

Agora é tomar antialérgico. E toca varrer a casa.


segunda-feira, 25 de julho de 2011

o dia em que descobri a política

Lembro eu criança, voltando da escola pela Jamaris cheia de árvores novas. Em volta de cada arvorezinha, um protetor com o símbolo da prefeitura do município de São Paulo.

Então teve eleição e ganhou um tal Paulo Maluf, que a minha mãe sempre odiou mas a minha avó adorava e eis que quando volto pras aulas e encontro o logo vermelho do novo prefeito nas gradinhas verdes das plantas já conhecidas.

"Agora quem passar aqui vai pensar que foi ele que plantou", foi a idéia que me pulou à mente. E aquilo me pareceu de uma desonestidade tão grande, uma cara de pau tão sem tamanho, que penso que mesmo sem os discursos contrário da minha mãe, sem qualquer denúncia ou promessa não cumprida e apesar da defesa da minha avó, eu não votaria neste jamais.

Talvez eu fosse capaz de deixar passar as mentiras, os exageros e os disparates do discurso. "Todo mundo sabe que político mente", diria eu, mas usar as arvorezinhas para fazer campanha era absolutamente imperdoável para a minha moral infantil.


segunda-feira, 4 de julho de 2011

cada uma...

Eu ouço cada uma...
que não é bom dar nota baixa ou irão te perguntar se você deu mesmo todas as chances do seu pobre aluninho recuperar as notas;
que reprovar eles não vão mesmo, pois pra reprovar você tem que provar por A+B+C+(x.y) que você fez tudo o que precisava, deu todo o apoio necessário, comunicou a família, o conselho tutelar, a vara da infância, o padre, o pastor, o papa, o cachorro, o papagaio... ofereceu trabalho de compensação de faltas, encominhou pro psicólogo, fez a recuperação paralela, propôs atividades diferenciadas e, mesmo assim, não deu certo.... (e eu aqui me perguntando quem de fato acredita que eu consigo fazer tudo isso pelos meus mais de 560 alunos desse ano)

Agora tivemos duas novas:
a primeira é que não podemos convocar os pais por telefone. As pobres mamãezinhas se sentiram incomodadas e, ao que consta, foram reclamar com a supervisora....

Essa é boa. Não bastasse não poder cobrar nada dos alunos (e não é que eu queira reprová-los... eu não acredito em reprovação, só acho um absurdo me pressionarem pra assinar atas e tarjetas que afirmam que ele domina conhecimentos que eu sei que ele sequer lembra que existem), agora também não podemos cobrar as famílias.
Agora não podemos incomodar a Dona Devota e que afirma passar o dia na Igreja pra não ficar perto da criança, a outra que diz que não manda o menino pra escola porque tem outros filhos (???!), nem os tantos que a gente vê chamando as crianças de traste, vagabundo e daí pra baixo.

Somos pressionados pra não cobrar nada de ninguém e a minha dúvida é: quem se espera que eduquemos assim?
Me parece que o objetivo de todo esse discurso que nos repetem há tanto nos ouvidos e que deu no que temos visto em ENEMs, Vestibulares e em tantas universidades é, no fundo, manter o povo pobre ignorante, manter a classe iletrada nessa mesma condição através das gerações, pra garantir a concentração do capital nas mãos que já o tem.

A segunda, que me deixou mais triste que chocada, é saber que há quem se console por saber que eles irão pagar por tudo pastando no ensino médio e na vida adulta.

Não. Isso não me consola. Se eles faltassem, enrolassem e me infernizassem a vida, mas conseguissem fazer um bom segundo grau, uma boa faculdade, se qualificar, ter um bom trabalho e dar uma condição de vida digna as suas famílias, eu ao menos sentiria que, ainda que aos trancos e barrancos, meu dever foi cumprido.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Bum!

Não tomem isso como um manifesto "Anti-eca". E afirmo, logo de inicio, que acredito e defendo o estatuto, mas...

Alguma coisa anda muito errada, se não na lei, nas ferramentas para aplicá-la.

O fato é que tem criança por aí mordendo coleguinha, chutando professor, colocando bomba na escola e nada dá em nada. Os menos cuidadosos, quando pressionados, soltam logo o verbo: "Chama aí quem você quiser, eu sou menor mesmo, não pega nada!" E não pega mesmo. No máximo transferência. Que nem expulsão nem suspensão são de fato permitidas.

A curto prazo, a única chance que um adolescente tem de sofrer uma repreensão à altura do que ele faz é outro adolescente se encher e quebrá-lo no meio. Existe uma redoma tão bem construída para evitar que os adultos toquem neles, que ficam todos a mercê uns dos outros.

Haverá quem diga "punição não é o caminho, devemos utilizar medidas sócio-educativas". Concordo. Punir não é o caminho, o caminho é dar limite. Só que quando um adolescente coloca uma bomba na porta da sala dos professores, como aconteceu onde eu trabalho hoje de manhã, é sinal de que o limite falta há muito. E de que ele não tem medo de demonstrar isso.

No mais das vezes, todo esse cuidado passa a sensação de impunidade, o que, em se tratando de educação, é no mínimo uma grande mentira: eles estão aprendendo que podem tudo. Um dia sairão da escola e a vida os derrubará rapidinho. E o que foi que a gente fez pra evitar isso?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

...

A casa finalmente arrumada.
Lençóis macios de algodão... limpinhos, cheirando a alecrim
O edredom cuida do calor que caracteriza o aconchego e as janelas garantem o silêncio.

Toda essa pureza só me remete a uma imensa solidão.
Cada canto só me faz repetir ao ouvido: meu amor não dorme comigo essa noite.

terça-feira, 19 de abril de 2011

o índio

essa é uma nova velha postagem. do blog véio que saiu do ar.
lembrei por que falaram do dia do índio.

sábado, 6 de novembro de 2004



O índio disse que São Paulo é uma grande aldeia
uma grande aldeia que reune gente de muitas aldeias
e que essa gente tem saudades do seu lugar de origem

Eu, que nasci aqui,
que não tenho um outro lugar de onde sentir saudades
fiquei me sentindo sem origem

como um retalho de uma colcha que nunca foi peça inteira
uma parte que nunca foi todo

como se aqui - o lugar onde se encontra gente de toda origem
não pudesse originar ninguém

fiquei me sentindo sem identidade e sem passado
porque não tenho uma cultura de séculos pra passar pros meus netos
porque tudo isso é distante demais


mas fiquei feliz....
sem pátria, de não ser estrangeira

o Brasil todo vem a São Paulo algum dia
e eu, de nenhum lugar se não daqui,
me sento, como boa espectadora,
e vejo o pais passar diante de meus olhos
sem nunca ter ido lá.
enviado por Lucis - Email as 22:37:07.