Comecei a me sentir incoerente... então senti necessidade de por tudo o que estava dentro pra fora, pra olhar de longe e tentar entender como funciona...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Por onde eu começo?

Hoje, na 8a série (9o ano)
"lindinho: Aff... música que não fala nada não é música!
eu: Claro que é! A letra é exatamente a parte da música que não é música, é poesia. A música é o som!"
lindinho: Aff..."

"lindinha: Esse cara é doido? Que que deu na cabeça dele pra fazer uma música que não fala nada?
eu: Mas música sem letra é uma coisa muito comum...
lindinha: Não é não!"

Ontem, na 7a série (8o ano):
"História em quadrinhos é aquilo que nem na revista da Mônica, que você escreve uma coisa, aí faz um círculo e aí faz um desenho?"

Uns anos atrás... na 8a série:
"lindinho: O Leonardo da Vinci é um artista muito legal. Eu gostei muito das obras dele. Pena que ele é desconhecido.
eu: como assim 'desconhecido'?
lindinho: eu perguntei pro meu pai, pra minha mãe, pro meu avô... ninguém nunca ouviu falar dele."

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

...

Decidiu-se certo dia a tirar do chaveiro todas as chaves antigas, sem uso, e como não soubesse mais a função de cada uma achou por bem guardá-las em caixinha, para o caso de precisar.

Eis que, muitos anos depois, acha a neta a tal caixinhas com todas as chaves descartadas por toda uma vida e nunca mais utilizadas já que - haja paciência! - melhor comprar cadeados novos.

Pois paciência é que não falta a criança sem ocupação.Pega a menina a tal caixa e se vai a desvendar tesouros: finalmente abrir a janela trancada em definitivo antes de instalar a tela para que o gato não saltasse, ler o diário dos primeiros amores da idosa, rever o álbum de criança, trancafiado pela timidez da puberdade, entrar de novo na escola que foi o primeiro trabalho e finalmente trancar de novo a escrivaninha e o banheiro, em que se batia a porta por segurança de não vexar ninguém haviam anos.

Tantas portas finalmente abertas ou finalmente trancadas que dava pra conhecer o mais fundo recôndito canto do coração da vó, não fosse a menina criança demais pra esses segredos de moça.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

medo...

-Tem um fantasma lá em cima.
Minha irmã descera a escada às pressas e me despejou a tal frase a que respondi, incrédula:
- Fantasmas não existem! Não caio mais nessa.
Frieza compreensível a minha. Não seria a primeira vez. Ela já me assustara antes, com um lençol sobre um quadro da Virgem com o Menino. Ainda me lembrava das suas risadas: "Sua boba, fantasmas não existem!"
- É! Mas tem um lá em cima.
- FAN-TAS-MAS-NÃO-E-XIS-TEM! Dá pra parar com a brincadeira boba???
- Tem sim! Tem sim!
E como ela não deixasse de insistir, decidi subir as escadas e ver com meus próprios olhos, um pouco decidida a por fim à palhaçada e um pouco já curiosa, afinal, o que lhe dava tanta certeza?
A meia duzia de degraus do segundo andar senti o sangue gelar nas veias no mesmo instante em que tocou meus ouvidos o som mórbido de uUuUuUuUuUuUu...
- Desci também as pressas. De fato havia algo lá em cima. Não poderia ser um fantasma, já que fantasmas não existiam e decerto haveria uma explicação lógica e científica para o tal fenômeno, mas estava lá, depois do teto da sala, logo acima de nossas cabeças.
Só que coragem de investigar depressa me fugiu das pernas então tivemos que esperar, paralisadas de medo, até que minha mãe chegasse e desligasse o rádio que havia esquecido ligado, bem baixinho, tocando ópera lá no seu quarto.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

piu piu piu piu...

Um som da infância. Foi o que me pediram.

E me veio a memória a imagem do trator do meu avô. Nos dias de menina passeando no sítio, a principal vedete era o trator onde o avô nos levava para passear.
Sim, morram de inveja: eu já fui criança e já andei de trator.

Passados instantes percebi que era uma imagem. Eu lembrava da figura, não do som do trator.

E então me voltaram os piu-piu-pius dos pintinhos no galinheiro. Andávamos eu a a minha irmã a tentar pegar filhotinhos: da galinha, da leitoa...

Ela, mais velha, ditava o plano. Engraçado que eu sempre ficava distraindo a mãe enquanto ela corria atrás do pequenininho.

E eu perguntava: mas porque VOCÊ não fica na frente do buraco enquanto EU corro atrás do porquinho? Me respondia que eu era menor e por isso corria menos.

Sabe, fazia sentido. Mas ainda assim eu tinha pra mim, (e ainda tenho, que é difícil desfazer certezas da infância) que lá no fundo, quem sabe nem tão fundo assim, ela tinha era medo da leitoa.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

...

22h30.
To saindo com frio, sono e fome de um dia que começou as 6h.
Entro no carro e penso: "Caminha, aí vou eu!"
Atravesso a Purpurina e entro no ladeirão e...
Eis que um infeliz se coloca na frente do carro... bem no meio da rua.
Ele acena indicando o estacionamento.
Eu faço que não com a mão e a cabeça.
"Não" quer dizer: NÃO VOU ESTACIONAR... TO SÓ PASSANDO!
O infeliz CONTINUA no meio da rua.
....
Dizem que eu sou muito paciente, então me pergunto:
Quantos desses são atropelados em SP todos os dias?

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Era só o que me faltava...


Estava eu tossindo ininterruptamente há semanas.

Quando retornaram as aulas achei que deveria resolver a situação - minha voz não suportaria a combinação tosse e alunos. Apesar disso, só quando o corpo começou a doer foi que decidi procurar um médico.

A verdade é que não gosto de ir em médico com sintoma muito vago, como: "estou tossindo". Tosse sem catarro há três semanas, dor de garganta e dores no corpo me parece algo mais fácil de diagnosticar. E foi: tosse alérgica.

Não é que eu não desconfiasse. Não tinha febre, o que praticamente descarta infecções e viroses e há tempos coloquei uma colcha na cama pra não permitir que os bichanos deitassem nos lençóis, o que me fez sentir bem melhor! No mais vitamina C e o xarope não faziam qualquer efeito e, me parecia, estando melhor, mais tossia. Vê lá, a alergia é uma reação imunológica então, faz algum sentido que imunidade mais alta resulte numa reação mais forte.

O fato é que, ao que tudo indica, tenho alergia aos pelos do Frederico. Aos da Preta também, imagino, só que ela tem bem menos pelos. Pode ser que o meu problema sejá o pó da avenida, o que, a curto prazo, não é menos grave.

Agora é tomar antialérgico. E toca varrer a casa.


segunda-feira, 25 de julho de 2011

o dia em que descobri a política

Lembro eu criança, voltando da escola pela Jamaris cheia de árvores novas. Em volta de cada arvorezinha, um protetor com o símbolo da prefeitura do município de São Paulo.

Então teve eleição e ganhou um tal Paulo Maluf, que a minha mãe sempre odiou mas a minha avó adorava e eis que quando volto pras aulas e encontro o logo vermelho do novo prefeito nas gradinhas verdes das plantas já conhecidas.

"Agora quem passar aqui vai pensar que foi ele que plantou", foi a idéia que me pulou à mente. E aquilo me pareceu de uma desonestidade tão grande, uma cara de pau tão sem tamanho, que penso que mesmo sem os discursos contrário da minha mãe, sem qualquer denúncia ou promessa não cumprida e apesar da defesa da minha avó, eu não votaria neste jamais.

Talvez eu fosse capaz de deixar passar as mentiras, os exageros e os disparates do discurso. "Todo mundo sabe que político mente", diria eu, mas usar as arvorezinhas para fazer campanha era absolutamente imperdoável para a minha moral infantil.